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Representação & Representatividade
23 de outubro de 2026 · Artigo

Representação & Representatividade

A representação política não é um fenômeno exclusivamente político. O termo “representar” vem do latim repraesentare, ou seja, tornar de novo presente, substituir, agir para alguém em nome de, cuidar dos interesses de alguém, personificar.

O termo representar tem, então, dois sentidos: a) agir para outra pessoa; e b) reproduzir algumas características (de coisa ou pessoa).

Somos representados todos os dias de formas diferentes por pessoas diferentes e em áreas e atividades diversas.

Alguns desses momentos de representação podem ser utilizados de forma política ou não. O primeiro uso, de forma política, data de 1651(*), em que o poder do Rei é retirado e retransmitido ao Parlamento como representante do povo.

Em geral, a representação se situa entre a democracia direta e os regimes ditatoriais e absolutistas.

Mas representação para quê? Com qual objetivo? Em qual área de atuação? A necessidade de representação política surge com o acontecimento de fenômenos e eventos que tocam a todos e, por isso, deveriam ser aprovados por todos.

Há vários tipos de representação e níveis de detalhes. A exemplo da representação por delegação, nada mais é aquela em que uma pessoa delega a outra poderes para que algo possa ser realizado.

O mandato ou o prazo de gestão pode ser executado de forma imperativa ou representativa.

Trata-se de duas formas diferentes de ligar o eleitor ao constituinte escolhido. O mandato imperativo obriga o parlamentar a seguir as ordens diretas do povo. Já o mandato representativo dá liberdade ao político para que possa decidir, de forma que ambos, político e povo, possam definir em conjunto o melhor conteúdo que será promulgado e publicado em nossas leis.

Muitas pessoas creem que o mandato imperativo delegado ao seu candidato preferido seria o mais justo, mas isso seria impossível pelo simples fato do possível candidato jamais conseguir saber a vontade de todos os seus votantes, além desses últimos não terem a perfeita noção do que realmente gostariam que fosse realizado e, muito menos, sobre questões políticas de ordem complexa, sem contar as mudanças de ideia ao longo do tempo.

Outro ponto a ser considerado é o fato de os votantes não ter como controlar o candidato após as eleições.

Temos que ter em mente que o novo membro eleito do Parlamento terá a obrigação de defender os interesses do Estado/País inteiro, e não somente os dos eleitores.

O pacto político é um contrato de confiança. Um constituinte, diferentemente do trabalhador em geral, jamais poderá ser demitido se não tiver um programa eleitoral.

Um político pode ser mais ou menos representativo que o outro. Em um país emergente ou de terceiro mundo, um parlamentar com maior poder aquisitivo, de maior faixa etária e com elevado nível de escolaridade, talvez tenha menor representatividade para a população em geral. Entretanto, um político com menor poder aquisitivo e nível de escolaridade, jovem, tenha maior representatividade. Portanto, fica claro que representatividade é diferente de representação.

Sempre que elegemos quem se assemelhe às nossas características, torna-se possível que com o tempo, esse mesmo político se afaste do seu eleitorado e sua realidade, pois além de mudar a sua vida de forma radical, empodera-se e transforma-se em um político profissional, podendo não representar mais o seu eleitorado. Por isso que falamos e escrevemos que a representatividade sempre pode diminuir ao longo do tempo.

De acordo com o caso anteriormente citado, é fato encontrarmos em nossa sociedade mulheres votando em mulheres, pretos votando em pretos, policiais votando em policiais, com o fito único de se sentirem representados. Entretanto, não necessariamente e nem sempre eles os representarão em virtude de suas características biológicas, genéticas e sociológicas.

Não existe sociedade plenamente perfeita. Existem, sim, categorias de seres humanos, dentre as quais separam aqueles que detêm o poder daqueles que obedecem a tudo aquilo que é estabelecido pelos primeiros.

Conclusão

Meu entendimento é neste sentido e a minha opinião não é estanque ou definitiva, no entanto, isto nos leva a crer que o associativismo é uma saída para que tenhamos representação e representatividade, pois trata-se de um conceito que remonta à ideia de união entre pessoas ou entidades com um objetivo comum, buscando promover benefícios mútuos para os seus membros.

Írio Trindade de Jesus2º Tenente da PMESP, Presidente da ASSPM e Bacharelando em Ciência Política pela Uninter.

Baseado no livro A ciência da Política – uma introdução, de Adriano Gianturco. GEN-Forense Universitária, Rio de Janeiro, 3ª edição, 2020.

(*) Referência de onde foi extraído: 1651, introduzido pelo filósofo inglês Thomas Hobbes em sua obra clássica O Leviatã, Capítulo XVI.

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